Outro dia saí com uma amiga que tinha me dado uma missão de não deixá-la telefonar para o ex. Eles tinham acabado de terminar, os dois sabiam que essa era a melhor coisa a fazer, mas enfim, a gente sabe bem como opera essa lógica (ou falta de lógica) de fim de namoro. Passamos o dia juntas e pelo menos até a noite, fui bem-sucedida na minha missão. Só que no outro dia, a minha amiga confessou que tinha ligado pra ele um pouco antes de dormir. É claro que eu disse um enorme “O quê? Como você pôde?” e todas as outras coisas típicas de Rafaela, ela disse que sabia que ligar era incoerente com o que ela queria (terminar), mas mesmo assim queria ligar. Isso já faz umas semanas, e até onde eu sei, foi a última vez que eles se falaram. Fiquei pensando: às vezes a gente sabe exatamente o que fazer, mas escolhe fazer justamente o contrário.
Tem hora que apesar de saber tudo na teoria, não temos ou não queremos ter força para agir de acordo com ela (ai vêm aqueles cinco segundos que refletimos e ai sim temos consciência total do que fizemos). Mas tem hora que fazemos isso “conscientemente”, como a minha amiga. Sabemos que juramos beber só nos finais de semana, mas você foi ao bar da faculdade durante a semana. Sabemos que o melhor a fazer para passar naquela prova é estudar todos os dias (na teoria pelo menos), mas hoje está tão bom ficar no sofá assistindo seriados. Sabemos que fulana é uma amiga super falsa, mas é tão legal conversar com ela. Enfim, sabemos de muitas coisas e vivemos abrindo mão delas, nem que seja por alguns momentos. Mas quer saber? Ainda bem!
Às vezes, mesmo sendo capazes de colocar tudo isso em prática, damos uma folga para essa sabedoria toda e descansamos um pouco. Não somos robozinhos. Qual o problema em se permitir algumas rebeldias de vez em quando? A gente esquece e aprende a mesma coisa várias vezes, e em alguns casos nem se pode falar que a gente esqueceu. Lembramos muito bem, mas resolvemos desobedecer.
Medir a pior consequência que a sua escolha pode ter, nesse tipo de situação parece um bom parâmetro para decidir enfiar o pé jaca, feliz e contente. E recomeçar no dia seguinte.

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