domingo, setembro 19, 2010

Como chocolate; logo existo.

Quando vejo um desses filósofos sofrendo e dizendo que a vida não tem sentido, tenho vontade de perguntar:
O senhor já experimentou chocolate?
A vida não tem sentido, mas nós temos cinco! Um deles é o paladar e quando colocamos para funcionar ativado por um Diamante Negro ou um Twix, a vida fica bem mais interessante.
No momento, escrevo ao lado de uma caixinha cheia de pingos de chocolate. (Cheia é modo de dizer, porque a linha de chocolates abaixa numa velocidade considerável, lembrando-me que a vida é curta, curta, curta...).
Podem dizer que eu estou exagerando, mas é assim que eu me sinto. A tarde pode estar chata, cinza, parada. O dia não apresenta nenhuma promessa de felicidade, quando ao ir à cozinha, me deparo com chocolates. Coloquei um na boca e tive uma espécie de revelação existencial.
Não sou religiosa. Acho que depois que essa simples bomba chamada coração parar de pulsar, infelizmente já era. Também não creio em nenhuma revolução. Conheço pessoas maravilhosas, mas o ser humano é incapaz de fazer uma macarronada sem hierarquia. E da hierarquia pra sacanagem é um passo! Quando vamos ver, já tem três nadando no parmesão enquanto 63 não ganharam nem o molho de tomate...
Não quero ser a heroína da história. Claro que quero um mundo melhor e gritarei toda vez que achar necessário, mas tudo isso é esperança, matéria tão fluida, abstrata... Já o chocolate é real! É tipo mais ou menos assim: Como chocolates; logo existo.
Não há razão para melancolia. Como escreveu Fernando Pessoa, um dos grandes melancólicos da história:
“Come chocolate, pequena:
Come chocolates!
Olha que não há metafísica no
Mundo senão chocolates,
Olha que as religiões todas não
Ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com
A mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel
De prata, que é de folha de estranho,
Deito tudo no chão, como
Tenho deitado a vida.”
Ouviram o poeta? Comam chocolates! O resto, se tiver que vir, que venha depois!
Obs: meu chocolate acabou de acabar.

terça-feira, setembro 07, 2010

Uma breve reflexão sobre o amor

Ninguém sabe dizer muito bem o que ele é, mas mesmo assim criamos hipóteses, damos conselhos, inventamos regras sobre ele em todo lugar: nas músicas, nos filmes, nas caixas de cereais (pois é! Juro que já vi uma coisa mais ou menos “dicas para se dar bem numa relação amorosa” em um caixa de cereal). Até ai tudo bem. Ninguém sabe muito sobre Deus e é super legal conversar sobre isso. Mas acaba saindo teorias que são, no mínimo, bem questionáveis.
Uma das que eu acho mais curiosas é aquela que fala “o amor só acontece uma vez na vida”. Acho lindo, mas conheço quem teve um amor e quem teve dez. Claro, sempre tem gente que teve dez e vem com a frase “ah, mas é que só esse décimo é amor de verdade”. Totalmente desnecessário. O amor de verdade é aquele que a gente está sentido...
Aliás, esse negócio de medir/pensar/calcular o amor também é chato. Não sei o que amor é, mas sei que não se mede ou se calcula como, por exemplo, a altura e área de um triângulo. Que seja, acho ruim qualquer teoria que compare o amor à área do triângulo. Por isso não sei qual é o ponto de falar coisas como “Eu amava mais o B a o C”, ou tipo “Eu amo mais o C a você ama o D”. Sem comentários.
Outra coisa que costumam dizer sobre o amor é que ele é diferente da paixão. Que paixão é uma coisa louca, passageira e insana. E o amor é calmo, duradouro e morninho. Nada contra fazer essa distinção, usando uma palavra para uma coisa e outra para outra coisa da mesma forma que a gente se refere ao purê quando a batata está amassada, e só batata quando ela está inteira. Ok... Péssimo exemplo.
O que eu acho chato é quando vejo pessoas praticamente brigando para ver quem está certo. Ou pior ainda é quando começam com as regrinhas: “Não, você não entendeu! Amor é isso e isso, paixão é só aquilo”. Cada um usa as palavras do jeito que quiser, só você mesmo sabe o que se passa dentro de você para tentar decifrar o que está sentindo. Da mesma forma, não curto quando alguém vem com esse papo de que amor que é amor dura pra sempre. Entendo que a pessoa que fala isso considere que só vai ter amado quando tiver sido para sempre (e seria coerente se ela só dissesse “eu te amo” só no final da vida, com uns 90 anos, né?), mas falar que todo o resto do mundo tem que obedecer a essa regra já é demais! Não é porque o chocolate acabou que ele deixa de ser chocolate. Ninguém sabe direito o que é o amor, mas todo mundo já amou, ou vai amar um dia.
 

 
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