quarta-feira, dezembro 26, 2012

Mamãe Noel

Sabe por que Papai Noel não existe? Porque é homem. Dá para acreditar que um homem vai se preocupar em escolher o presente de cada pessoa da família, ele que nem compra as próprias meias? Que vai carregar nas costas um saco pesadíssimo, ele que reclama até para colocar o lixo no corredor? Que toparia usar vermelho dos pés à cabeça, ele que só abandonou o marrom depois que conheceu o azul-marinho? Que andaria num trenó puxado por renas, sem ar-condicionado, direção hidráulica e air-bag? Que pagaria o mico de descer por uma chaminé para receber em troca o sorriso das criancinhas? Ele não faria isso nem pelo sorriso da Luana Piovani! Mamãe Noel, sim, existe.
Quem é a melhor amiga do Molocoton, quem sabe a diferença entre a Mulan e a Esmeralda, quem conhece o nome de todas as Chiquititas, quem merecia ser sócia-majoritária da Superfestas? Não é o bom velhinho.
Quem coloca guirlandas nas portas, velas perfumadas nos castiçais, arranjos e flores vermelhas pela casa? Quem monta a árvore de Natal, harmonizando bolas, anjos, fitas e luzinhas, e deixando tudo combinando com o sofá e os tapetes? E quem desmonta essa parafernália toda no dia 6 de janeiro?
Papai Noel ainda está de ressaca no Dia de Reis. Quem enche a geladeira de cerveja, coca-cola e champanhe? Quem providencia o peru, o arroz à grega, o sarrabulho, as castanhas, o musse de atum, as lentilhas, os guardanapinhos decorados, os cálices lavadinhos, a toalha bem passada e ainda lembra de deixar algum disco meloso à mão?
Quem lembra de dar uma lembrancinha para o zelador, o porteiro, o carteiro, o entregador de jornal, o cabeleireiro, a diarista? Quem compra o presente do amigo-secreto do escritório do Papai Noel? Deveria ser o próprio, tão magnânimo, mas ele não tem tempo para essas coisas. Anda muito requisitado como garoto-propaganda.
Enquanto Papai Noel distribui beijos e pirulitos, bem acomodado em seu trono no shopping, quem entra em todas as lojas, pesquisa todos os preços, carrega sacolas, confere listas, lembra da sogra, do sogro, dos cunhados, dos irmãos, entra no cheque especial, deixa o carro no sol e chega em casa sofrendo porque comprou os mesmos presentes do ano passado?
Por trás do protagonista desse megaevento chamado Natal existe alguém em quem todos deveriam acreditar mais.


Autora: Martha Medeiros

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Engraçado!


Engraçado, como as pessoas entram e saem da nossa vida como estivesse passando numa rua qualquer.
Engraçado, como confiamos nas palavras e deixamos nossos valores sufocados.
Engraçado, como deixamos que pessoas compartilhem de nossos sonhos, quando na verdade nem de seus pesadelos fazemos parte.
Engraçado, tudo isso.
Mas deixa de ser engraçado quando somos comparados a uma bola, sendo jogados de canto para outro, sem pretensão de gol.
Porém tudo passa a ter graça quando percebemos que a vida contínua. E Deus nos conforta e supre-nos de maneira sobrenatural, da graça que ninguém encontrou em nós.


domingo, outubro 21, 2012

Tudo é tão incrível, e ninguém está feliz

Reclamamos muito sem pensar no passado.
A cada momento que o olho brilha graças aos avanços da tecnologia moderna, dois resmungos competem com o deslumbre: um deles lamenta que as coisas não são tão boas quanto no passado, o outro se inquieta com as falhas do recém-chegado. Muito já foi dito e escrito sobre a natureza insatisfeita do ser humano, mas vivemos numa época de ouro para a humanidade. Ela pode não ser a mais incrível da história, mas é, sem dúvida, aquela em que o maior número de pessoas vive bem e pode fazer o que quer. Mais do que isso: elas podem fazer coisas que nem sequer imaginariam fazer apenas alguns anos antes.
E nem estou falando das virtudes sempre exaltadas pela pauta do Link. Me refiro apenas a fatos triviais.
Estamos em contato com amigos e conhecidos o tempo todo. Hoje conversamos em vídeo pelo celular. É possível fazer compras, pagar contas e trabalhar ao mesmo tempo, sem que uma ação atrapalhe a outra. A maioria das perguntas que você pode fazer – tirando as existenciais – pode ser respondida em alguns cliques. Só o clichê do “computador de bolso” propagado na era do smartphone já justificaria tanto deslumbre: seu celular é um localizador de GPS, um tocador de mídia (música, vídeos, fotos), uma câmera que filma e tira fotos, um dispositivo de acesso à internet, um videogame portátil.
Mas, enquanto a foto não carrega, o mapa não aparece, o vídeo não sobe ou o game muda de fase, reclamamos da conexão, do aparelho, da rede, do software. Isso sem citar aqueles que esbravejam “antigamente é que era bom” e se esquecem das filas no banco, do tempo perdido para se achar um lugar, de impostos feitos em planilhas de papel, das as poucas fontes para descobrir música nova, como rádio e lojas de disco.
Sempre que vejo as pessoas confrontadas nesse dilema egoísta, minha memória me leva inevitavelmente a um texto, repetido em apresentações ao vivo e programas de TV do comediante norte-americano Louis C.K., que ficou conhecido com o título que usei nesta coluna.
“Tudo é incrível e ninguém está feliz”, começava. “Em minha vida, as mudanças que aconteceram no mundo foram incríveis. Quando eu era criança, o telefone em casa era de disco. Você tinha de ir onde ele estava e tinha que discá-lo. Você já parou para pensar como era primitivo? Você está produzindo faíscas em um telefone!”
Ele continuava falando do saudoso passado de que uns ainda fingem sentir saudade: “Se você quisesse dinheiro, você tinha de ir ao banco, que só ficava aberto por algumas horas. Você tinha de pegar uma fila, escrever um cheque para você mesmo feito um idiota e quando o dinheiro acabava você não tinha mais o que fazer. Acabou.”
“Estamos vivendo num mundo incrível e ele está sendo desperdiçado na geração mais rasa de idiotas mimados que não se importam porque é assim que as coisas são agora”, reclamava. “Estava num avião outro dia e tinha internet. E isso é o avanço mais recente que eu conheço: internet rápida no avião. Estou ali no avião e posso pegar um laptop, entrar na internet, que é rápida o suficiente para assistir a vídeos no YouTube. É incrível. E aí de repente a conexão falha, alguém da companhia aérea pede desculpas pela internet não estar funcionando e um cara do meu lado começa a reclamar que isso é uma merda!”
E conclui dizendo que nem sequer percebemos a maravilha que é voar, essa tecnologia de pouco mais de um século. “Alguém reclama que teve de ficar esperando a decolagem por 40 minutos. É mesmo?”, pergunta Louie. “E o que aconteceu logo em seguida? Você voou pelos céus como um pássaro? Você atravessou as nuvens, algo que era impossível? Você teve o prazer de participar do milagre do voo humano e depois pousou maciamente sobre pneus enormes que você nem consegue imaginar como foram parar o céu? Você está sentado em uma cadeira no céu. Você é um mito grego neste exato momento.”
Reclamamos muito e temos pouca consciência do nosso próprio contexto – e isso não diz respeito apenas à tecnologia. Mas graças à ela isso tem mudado.





















Por Alexandre Matias

segunda-feira, setembro 24, 2012

Onde vivem os monstros?


Em minha infância, a ameaça de uma aparição monstruosa surgia ao menor sinal de alguma traquinagem por parte de algum infante mais travesso, o que não era meu caso. Era o Bicho Papão que a noite levava criança atentada para fazer sabão, a mula sem cabeça que pegava quem ficasse andando em lugar proibido e até mesmo a Cuca poderia surgir para assustar quem fizesse alguma maldade com o gatinho da casa. Definitivamente, aqueles não eram tempos seguros para criança levada.
Todavia, observo hoje que os monstros tradicionais de minha infância desapareceram. Por mais que se apronte por aí, se faça safadezas e desrespeitos com os mais velhos, as criaturas míticas disciplinares evitam dar as caras. Possivelmente foram varridas do mundo por uma tsunami politicamente correta ou alguma doutrina pedagógica mais moderna.
Seja lá qual for o motivo deste monstruoso desaparecimento, o fato é que as crianças atuais parecem mais destemidas. Só pode ser influência negativa desses computadores, invenção recente do coisa ruim, e dos vídeo games, que só fazem encher a cabeça das pequenos com coragem. Foram as maquinas eletrônicas que criaram um mundo alternativo (virtual, não é o que dizem por aí?) no qual as pessoas podem matar e morrer quantas vezes quiserem. Ora, se as crianças não têm medo sequer da morte, só restava mesmo a aposentadoria do Bicho Papão, incapaz de assustar alguém hoje em dia.
 


sexta-feira, agosto 24, 2012

A pessoa errada

A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor. A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar que é pra na hora que vocês se encontrarem a entrega ser muito mais verdadeira. A pessoa errada é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas. Essa pessoa vai tirar seu sono. Essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você. Vai estar o tempo todo pensando em você. A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo, porque a vida não é certa.

terça-feira, julho 17, 2012

Exposição de Gatos de Raça

Só para registar o momento da 137ª exposição de gatos de raça que ocorrou dia 08/07/12.
Eu deveria registar mais meus momentos aqui.
São tão especiais e gostoso de ficar recordando...








quinta-feira, julho 05, 2012

10 coisas que levei anos para aprender

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.
2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.
3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.
4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.
5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.
6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.
7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".
8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".
9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.
10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.
 

segunda-feira, maio 14, 2012

Quem disse que somos obrigados a escolher uma única opção?

Outro dia, saindo do cinema, ouvi a conversa de duas meninas. Uma estava suspirando pelo filme, uma comédia romântica, e a outra saiu com uma cara mega critica, sabe como é, né? Essa menina da cara mega critica começou a reclamar que aquelas duas horas de filme não tinham acrescentado nada à vida dela. “Só gosto de filme cabeça”, disse. A amiga suspirante ficou toda bravinha e começou a discutir sobre como filme cabeça é chato e como comédia romântica é mais legal. “Quando vou ao cinema, não quero pensar. Quero me divertir!”. Nisso, a amiga critica respondeu... Bom, na verdade, não sei o que a amiga respondeu porque segui meu caminho... Eu não ia ficar ouvindo as duas para sempre.
O caso é que fiquei pensando: por que a gente tem essa mania de criar rivalidade entre as coisas? Pode reparar, é como se a gente ficasse se forçando a tomar partido. Você ouve rock ou sertanejo? Prefere campo ou praia? Loiro ou moreno? Carne vermelha ou peixe? Suco ou refrigerante? Parece que o tempo todo nós temos que marcar um “x” nas opções.
Uma vez, no colégio ainda, me perguntaram se eu era do time das que preferiam matemática ou português. Eu tinha uns sete anos. Quando você tem sete anos e perguntam uma coisa dessas, você se sente meio encurralada. A pessoa tinha colocado um “ou” na pergunta, o que deixa claro que você só poderia escolher uma opção. Pensei e respondi que era português. Sem querer fazer drama sobre a minha vida colegial nem nada, eu passei anos conformada ao meu destino de ser boa em português e ruim em matemática. E não precisava ser assim! Anos depois é que vi que tinha gente boa nas duas coisas, que eu poderia gostar de matemática e continuar gostando de português. Na verdade, eu odeio matemática até hoje.
Voltando ao filme, toda vez que alguém pergunta de que tipo de filme eu gosto, fico tentada a responder baseada nos últimos que eu vi, mas a verdade é que meus filmes preferidos variam de acordo com minha época da vida. Aliás, variam em um mesmo final de semana. Mas mesmo que eu sempre amasse os mesmos tipos de filmes, por que teria que criar uma rixa entre esse tipo de filme que amo e os outros? Por que defender um e detonar o outro, como se estivesse escolhendo um candidato para votar?
Uma das coisas que acho mais legais na arte é a diversidade. É incrível ter acesso a tantos tipos de músicas, livros, etc. Essa variedade atende não só pessoas diferentes, como a mesma pessoa em diferentes momentos. Para que abrir mão disso? Fico pensando se essas pessoas que defendem ardorosamente um tipo de coisa gostariam que a outra opção sumisse do mundo só porque elas não gostam. Você, eu não sei, mas eu acho que isso seria um empobrecimento desnecessário da arte. Tirando o funk, que não tem cultura nenhuma para acrescentar, ok?
Da mesma forma, acho que escolher categoricamente entre loiro/moreno, matemática/português seja um empobrecimento da vida. A gente muda, nossos gostos variam e nossas idéias, felizmente, não são fixas.

sexta-feira, abril 06, 2012

PROCURA DIREITO QUE ACHA - Crônica de Páscoa

Desde pequeno fui um menino desconfiado. Uma daquelas crianças que questiona por onde o velho Noel entra em casa, se no apartamento não tem chaminé. Ou por outra, como é que ele consegue atender aos pedidos de todas as crianças do mundo, andando naquele trenó de segunda, puxado por velhas e pachorrentas renas. Em compensação, lá em casa todos já desconfiavam da precoce consciência social do garoto, pois eu não simpatizava com a idéia de que algumas crianças pobres fossem ficar a ver navios em vez de bolas, carrinhos e bambolês. Para mim aquele senhor de barbas brancas tinha pinta de elitista. Enfim, logo descobri a farsa, ficando acordado até mais tarde e checando o que já desconfiava, ou seja, que o papai Noel era o lá de casa. Pior, no meu caso, era mamãe Noel mesmo.Hoje vejo o bom velhinho com ares de pedófilo (ele, não eu). Por isso, não deixo meus filhos sentarem no colo dele para tirar fotografia. Era só o que faltava.Assim também foi com o bicho-papão, que cedo concluí tratar-se de chantagem ficcional de adultos sem imaginação. Coisa de tarado. Se bem que eu morria de medo de uma boneca de olhos esbugalhados que minha irmã guardava no armário dela.
Isso tudo para lembrar que uma história dessas mal contadas eu engolia sem problemas. Era na época da Páscoa, quando procurava pelos ovos espalhados e escondidos pela casa. Nunca questionava como o coelhinho conseguira entrar lá em casa, se ele também dera chocolate para as crianças pobres, logo, o que me interessava de verdade era achar as delícias e me empanturrar. Naquele tempo não tinha problemas de engordar nem de colesterol.
Talvez em razão disso, sempre tive atração por coelhos. Seja com molhos de maçã e batatas cozidas, ou no vinho à moda francesa. Sem contar que Coelho costuma dar sorte. Haja visto nosso badalado internacional Paulo, que vende livro até no Irã. Jamais entenderei esse mistério. Deve ser coisa de coelhos e cartolas.Porém nunca tive nenhum pé de coelho. A explicação pode ser simples e tem sua lógica. Se aquele coelho tivesse sorte não teria perdido a pata. Resumindo, acho que a Páscoa está em mim como um toque batismal. Não seria à toa meu sobrenome de Paschoal. Uma época que me traz boas recordações. Um tempo no qual todos podem recordar um pouco da pureza dos sentimentos e da gula sem pecado.Io no creyo en los conejos pero qui los hay, hay.. É só procurar direitinho. Feliz Páscoa.




















by Marcio Paschoal

domingo, abril 01, 2012

O que é ser "NOIVA"

Sonhar com o vestido de noiva o tempo todo.
Falar de casamento até cansar e cansar!
Se emocionar de verdade ao ouvir a marcha nupcial e outras músicas de casamento.
Aguentar conselhos inúteis “não faz isso, você é muito nova”, “pra que gastar dinheiro em festa se depois separa”, “não faz festa porque enche a barriga dos outros e eles saem falando mal” e bla bla bla…
Aguentar sessão palpites de várias pessoas.
Deixar de ganhar presente pra você e só ganhar coisas pro enxoval.
Reclamar dessa loucura toda que são os preparativos, mas ficar triste no dia que não tem nada pra decidir.
Ficar pensando que ainda está tão longe para a data tão esperada.
Ter 1000 idéias mirabolantes para seu casamento ser diferente.
Se estressar ao montar a lista de convidados e sempre o número de pessoas cresce e ultrapassa o valor já fechado no buffet.
Aprender a dar sorrisinho amarelo a todas pessoas que se convidam para ir no casamento quando obviamente não serão convidadas.
Ter crises de choro achando que não conseguirá bancar tudo.
Ter ataques de felicidades a cada nova conquista.
Ficar íntima de Mozart, Vivaldi, Bach.
Ter que parar de gastar com coisinhas para guardar dinheiro para outras coisas mais importantes.
É fechar a boca para o vestido poder fechar.
Ter pesadelos horríveis com coisas absurdas sobre o casamento!!! Muitos pesadelos, muitos!
É querer que as pessoas mais queridas participem dos preparativos.
Morrer de medo que alguma coisa dê errado.
Ler milhões de revistas sobre casamentos, milhões de vezes!
Ficar feliz quando é convidada para casamentos só para prestar atenção nos detalhes.
Ficar indecisa com tantas opções de tudo e insegura quando vai contratar algum serviço.
Ter o maior orgulho em se referir ao seu amor como NOIVO.
Conhecer um montão de gente que você nunca tinha visto na vida e saber que eles estão com a realização do seu sonho nas mãos.
Ficar feito boba olhando para sua aliança na mão direita.
Ficar ansiosa e contar os meses, dias, minutos e segundos para o GRANDE DIA!
Pensar em cada detalhe da festa, da casa, da cerimônia, lua de mel.
Chorar em casamentos de desconhecidos.
Ter crises de choro e estresse e entrar na famosa TPC (Tensão pré-casamento).
Achar o máximo fazer prova do vestido mesmo quando só existe um pano branco sem nada ainda.
Provar doces, bolo, comida e ficar enjoada de tanta coisa gostosa…

Parabéns aos mais recem-casados! Que tudo se realize na vida de vocês!
Vou sentir falta de alguem dormindo do meu lado todos os dias =/
hahahaha
AMO VOCÊS!

domingo, fevereiro 19, 2012

A revolta das mulheres feias

Um telefonema. Com um telefonema, iniciou-se o processo de indignação das mulheres feias de Jutibaia, cidadezinha do interior de um estado de que ninguém se lembrava. Eram trinta mil habitantes – ou três mil duzentas e doze feias. As feiúras eram de tipos e graus variados, mais escondidas ou mais gritantes, de dar pena ou de assustar. Mas, em comum, eram feiúras.

Sempre havia um moço sozinho que tentava encontrar alguma beleza em uma daquelas mulheres feias. E sempre havia uma que tentava passar para o time das bonitas, fosse emagrecendo, fosse arrumando o cabelo, fosse se maquiando, fosse emagrecendo, arrumando o cabelo e se maquiando. Mesmo assim, não havia como negar. Os moços sozinhos sabiam. As próprias feias arrumadas sabiam.

Eram feias.

– Eu não agüento mais – disse Inês ao telefone. Estava sentada na bela poltrona da sala, que destacava ainda mais sua feiúra. Não era gorda, não era nariguda – mas era feia como um todo.

– O que você não agüenta mais, criatura? – perguntou Mara, que chamava qualquer pessoa de “criatura”, sem preconceito.

Inês respirou fundo.

– Hoje, descobri, com toda a certeza do mundo, que sou feia. E escolhi você para desabafar porque você também é feia. Nós duas somos feias, por mais que a gente se esforce.

Silêncio.

– Eu não descobri nada – disse Mara, por fim. O coração batendo forte. Era como se alguém estivesse lendo seu diário em voz alta. – Eu não descobri nada.

– Escute! Você está perdendo seu tempo. Eu estou aqui, cheia de idéias para compartilhar com outras mulheres da nossa condição. Não tente negar. Você faz parte desse time.

Mais silêncio. Mara tinha se sentido sozinha a vida toda. A última a ser escolhida na aula de educação física. A única a não receber assobios em frente às obras de construção. A última a beijar na boca – só aos dezoito anos, depois de pagar o vizinho. Gostava da idéia de fazer parte de um time. Mas queria fazer parte daquele time?

– Eu tenho um cabelo bonito – Mara respondeu, balbuciando.

– Só realça a sua feiúra. Quem olha você de costas, sentada no ônibus, fica com uma esperança ao ver seu cabelo! Eu, pelo menos, já tenho o cabelo feio. Não desiludo ninguém.

– Vovó dizia que tenho pés elegantes – disse Mara, triunfante.

– Ótimo. Ande de ponta cabeça e cubra sua cara com um belo par de sapatos.

Mara desligou o telefone. Inês ligou de volta. Sabia que estava sendo cruel. Mas precisava. Tinha idéias arrojadas na cabeça e meias palavras não iriam ajudar a concretizá-las.

– Inês, você está com baixa auto-estima e resolveu descontar em mim, só pode ser. Você precisa de terapia.

– E você precisa de um espelho.

– Eu não sou tão feia assim.

– Assuma, Mara. Chega de se esconder. Ou de tentar melhorar. Você não merece passar o dia tentando vestir uma roupa que te deixe melhorzinha, torcendo para mexerem com você na rua e fazendo unha no salão como se isso fosse melhorar alguma coisa.

Inês sabia do que estava falando. Tinha passado a vida fazendo o mesmo. Comprava roupa como se cada peça bonita fosse um sopro de esperança. Passava o dia sonhando acordada se ouvia um assobio – alguns eram para outra mulher que passava na mesma calçada, outros eram para algum cachorro, mas vira e mexe ouvia um que era para ela, e como ela ficava feliz! Claro, às vezes acontecia de ouvir o autor do assobio comentando com os colegas que tinha feito a boa ação do dia, mas ela fazia questão fingir para si mesma que não tinha entendido – não era boa com piadas, não tinha entendido o que ele queria dizer com boa ação, vamos sorrir, que é melhor. As revistas femininas confundiam as emoções de Inês. Em algumas ocasiões, gostava de ver os rostos perfeitos que estampavam aquelas páginas. Era como se, enquanto folheava as revistas, fizesse parte daquele universo – e, comprando o batom com ponta esférica hidratante do anúncio, ficaria ainda mais linda. Gostava de ler entrevistas com famosas bonitas. A perguntas como “Qual é seu segredo de beleza?”, elas sempre respondiam coisas como “Sorrir e comer uma castanha toda noite, antes de dormir”. Parecia tão simples, ser bela! Tão ao seu alcance. Mas, de vez em quando, enquanto folheava as mesmas revistas, ela parecia ouvir algumas risadas. Não sabia se vinham daquelas páginas, do espelho no banheiro ao lado ou da esperança. Ela não fazia parte daquele universo. A quem tentava enganar? Era feia.

Mas esse sentimento de feiúra ainda não era uma certeza. Era uma suspeita incômoda, como todas as suspeitas. Nada que uma roupinha nova não resolvesse. Ou uma unha feita. E lá ia ela comprar uma roupinha ou fazer as unhas. Nesses dias de tristeza, procurava socorro nas mesmas revistas femininas. Adorava ler matérias que diziam coisas como “Auto-estima: conquiste a sua!”, ou “Beleza: um estado de paz interior”. Também adorava colocar suas pernas à mostra ou os seios num decote. Decotes faziam com que ela se sentisse poderosa. Toda a sua feiúra ficava nublada com aquele par de seios ao alcance dos olhos de qualquer um.

E toda a sua feiúra nublada com aquele par de seios ao alcance dos olhos de qualquer um voltava a ficar bem nítida quando aparecia uma linda mocinha de jeans e camiseta. Inês tinha vontade de morrer. Ou matá-la. O que viesse primeiro.

Teve uma época em que resolveu virar o jogo. Passou a se vestir com camiseta e calça jeans, tudo largo, tudo muito despreocupado, tudo muito natural. Não usava mais maquiagem, não arrumava o cabelo, não fazia as unhas. Beleza para quê? Ela queria se preocupar mais com o intelecto. Era difícil, porque trabalhava como caixa de supermercado e detestava ler. Mas estava decidido: se a beleza não gostava dela, ela não ia gostar da beleza. A indiferença durou pouco. As revistas femininas continuavam lá. As famosas das entrevistas e das novelas também. Suas amigas feias continuavam tocando a campainha de sua casa, chamando-a para o salão. E Inês se cansou de viver em outro universo. Aquele seu universo particular, em que ela fingia não se importar com a beleza e fingia que, se uma fada madrinha oferecesse um corpo e um rosto dez mil vezes mais bonitos, ela recusaria, porque, afinal de contas, beleza não importava nada.

Ah, como importava! Para ela e para o mundo. Para os homens que adoravam ver mulheres bonitas, para as mulheres bonitas que adoravam ser vistas pelos homens, para as mulheres feias que adoravam tentar ficar bonitas para adorar ser vistas pelos homens.

Homens. Sempre eles. Invejava os homens. Reparava nas rodinhas masculinas: quando um homem lindo, bem acima da média, chegava, era tratado como um igual. Nenhum deles parecia sequer perceber a diferença. Estavam entretidos na conversa. Quando uma mulher linda passava, o mundo de Inês caía. Ai dessa mulher se entrasse em sua roda, então. Inês, na verdade, não era muito de roda. Geralmente, estava sozinha. Não fazia o estilo da feia bem-resolvida, que transitava bem entre as bonitas, era simpática com todos e acabava conquistando o coração de algum homem. Não conseguia. Mas também não queria fazer o estilo da feia amarga, que, querendo e não conseguindo ser bonita, odeia as mulheres bonitas. E, por fim, não queria fazer o papel da feia iludida, que passa a vida fingindo para si mesma que não é feia e tentando resolver sua feiúra sorrindo e comendo uma castanha toda noite, antes de dormir.

Numa tarde qualquer, descobriu o que queria: ser uma feia revolucionária.

(Quer dizer, o que ela queria, mesmo, era ser bonita, mas, não sendo possível, achou o tipo de feia que queria ser: uma feia revolucionária.)

Foi quando ligou para Mara.

– Aonde você quer chegar com isso? – perguntou Mara.

– Se for necessário, a uma revolução.

Estavam todas reunidas na praça principal da cidade. Era dia de assembléia geral das feias. Inês pigarreou, hábito meio feio que ela tinha, e pegou o microfone.

– Bom dia, queridas feias!

– O que tem de bom? – perguntou uma mulher no meio da multidão.

– Eu disse feias, não mal-humoradas. A assembléia dos mal-humorados foi ontem.

A mulher do meio da multidão grunhiu, mas resolveu continuar lá. Afinal, era bem feia.

– Como sabem, o tema da assembléia de hoje é: qual é o nosso inimigo?

Uma gordinha levantou a mão.

– Por que precisamos ter um inimigo?

– Todo mundo que se reúne em assembléia precisa de um inimigo – respondeu Inês, didaticamente. – Qual é o nosso? São os homens? É a mídia? São as mulheres bonitas?

Uma onda de reflexão tomou conta da platéia. Uma ou outra feia resolveu pegar o microfone e dar sua opinião. É verdade que uma delas aproveitou sua vez para pedir dicas de como disfarçar quadris largos, mas teve logo sua participação interrompida por Inês, sempre atenta. Após os discursos, chegou a hora da votação. Assim que Inês leu o resultado, uma parte das platéia comemorou, emocionada, enquanto algumas feias isoladas tentaram puxar uma vaia, sem sucesso. Mas estava decidido: era contra as mulheres bonitas que iam lutar.

– Minha vizinha Juju usa umas saias muito curtas. Meu marido não pára de ir lá para consertar a TV dela! – disse Patrícia, com um bloquinho na mão. Agora estavam listando quem eram as mulheres bonitas da cidade e o que seria exigido delas, em nome da assembléia.

– É um absurdo! – disse Mara. – Só nós, feias, podemos usar roupas curtas. Mulher bonita de minissaia é covardia.

Todas concordaram, exultantes.

– Minha prima Tamara se acha linda! Como odeio a pretensão dela! – disse uma agitada Cintia.

– Mas ela é linda?

– É. Droga. Vaias para a Tamara!

Todas vaiaram.

– Ordem! – pediu Inês. – Cintia, liste as coisas que Tamara tem que fazer para parar de exibir sua beleza. As outras façam o mesmo. As que terminarem, vão começando já a ligar para os salões de beleza. A partir de hoje, só as feias podem freqüentá-los. Mas que fique claro: as feias que não quiserem freqüentar salão algum têm total liberdade. Quem se recusar a cumprir nossas exigências, já sabem: risco de rebelião.

– Ão ão ão! Vai rolar rebelião! – algumas gritaram, se sentindo muito politizadas.

No dia seguinte, já se viam ruas mais vazias. Muitas bonitas estavam com medo de sair de casa. Algumas tinham ouvido o boato de que Joana, depois de se recusar a cortar seu lindo cabelo, teve a cabeça raspada por uma integrante da recém-formada facção radical das feias. O mesmo grupo foi responsável por invadir as casas de algumas bonitas bem-vestidas e bem-cuidadas, apreender suas roupas e jogar seus cremes no lixo. É certo que logo Inês descobriu que muitas roupas e cremes apreendidos estavam sendo vendidos no mercado negro das feias, mas as radicais foram logo repreendidas.

– Não meço dedicação à minha causa – disse uma delas, encontrada com dois quilos de sapatos em seu apartamento, escondidos dentro de bichos de pelúcia.

Os proprietários de salões ameaçaram mover um processo contra as feias, mas acabaram entrando num acordo e negociando centenas de pacotes de tratamento. Panfletos com mensagens do movimento foram distribuídos e carros de som passavam todos os dias à tardinha, pedindo a adesão da população. Conseguiram apoio de alguns segmentos, como do sindicato de lojistas, que, de olho na rentabilidade da fatia feia da população, tratou de contratar modelos feias para desfilarem com as grifes da cidade e posarem para fotos em outdoors. Alguns homens gostaram da idéia de verem suas mulheres bonitas andando menos bonitas por aí. As crianças se divertiam com as passeatas e ate ajudavam a divulgar o movimento, embora as mais bonitas temessem seu futuro.

As semanas seguintes foram de paz. As feias se alternavam numa ronda, que passava pela cidade em todas as horas do dia, verificando se as bonitas andavam se comportando. As bonitas circulavam discretamente, com roupas largas e compridas, e cabelo preso ou bem curto. Algumas preferiram engordar um pouco, para se defender de possíveis ataques das feias mais exaltadas, sempre noticiados no jornal da cidade, enquanto outras trataram logo de se exilar.

Porém, numa nova assembléia, algumas feias insatisfeitas fizeram novos discursos inflamados. Estavam menos incomodadas pelas bonitas, é verdade, que passavam tão discretamente pela rua que nem eram vistas. Mas isso era suficiente? E as novelas que passavam na TV? E as revistas escancaradas nas bancas, com mulheres maravilhosas na capa?

– É preciso mais – disse Mara, ao microfone, num tom muito sério. De reticente, no início, tinha passado a uma das feias mais engajadas. – Temos que pensar nas próximas gerações. Que futuro nossas filhas terão, se forem feias como nós?

As feias mais envolvidas com a questão, que usavam uma camiseta onde se lia “Salvem nossas crianças”, se emocionaram e bateram palmas.

Foram tomadas novas medidas. Programas televisivos nacionais com mulheres bonitas foram vetados, além de qualquer publicação em que elas apareciam. Com o apoio da prefeitura, que, por medo de uma revolta armada, acabou cedendo às pressões do movimento, mulheres bonitas que visitavam a cidade precisavam agora de um visto especial, e tinham que pagar uma multa caso não se vestissem com os uniformes que eram entregues às bonitas. Esses uniformes largos e de cor cinza faziam parte das novas medidas, e seu uso pelas mulheres bonitas era obrigatório. Agora, elas também tinham que se recolher em suas casas depois das dez da noite. Pela madrugada, as feias circulavam felizes pelas ruas e festas: a cidade era delas.

Tudo corria bem para as feias, até que elas começaram a suspeitar de um movimento contra-revolucionário. As feias que tinham primas ou irmãs bonitas foram convocadas por Inês para servirem ao grupo como espiãs, e, alguns dias depois, uma delas trouxe a certeza: as bonitas estavam fazendo uma conspiração. Júlia, a feia que, seguindo uma prima bonita, viu que ela espalhava a conspiração pela cidade, tentando convencer o povo com suas idéias de liberdade, foi imediatamente condecorada a feia-mor. As comemorações, no entanto, ficariam para mais tarde: era preciso conter a desordem.

Foram dias violentos. As bonitas, que agora tentavam circular sem uniforme, tinham seus cabelos arrancados e ganhavam hematomas feios pelo corpo. Várias foram presas, assim como donos de salões obscuros que aceitavam atendê-las – apliques de cabelo estavam valendo uma fortuna. Ao fim de uma semana, porém, Inês aceitou falar com uma representante das bonitas, eleita por pelas próprias bonitas numa assembléia secreta, para ouvir suas reivindicações. Talvez estivesse disposta a conceder uma ou outra coisa, como deixar o toque de recolher para mais tarde, não mais que isso. No entanto, quando Inês se viu sozinha com Mariana, percebeu logo que ela não era apenas um rostinho bonito. Mariana trazia ideias muito ousadas, debatidas ao longo de várias reuniões com as bonitas, e, após lançar mão de argumentos que mexeram emocionalmente com Inês, propôs uma aliança. Inês imaginou a confusão que daria se, como líder do movimento, acatasse a sua ideia, e deixou para resolver o assunto em uma reunião fechada com as cabeças do movimento das feias.

– Uma aliança entre as feias e as bonitas? Qual é o sentido disso? – perguntou Mara, franzindo bastante as sobrancelhas, o que a deixava ainda mais feia.

– Foi o que pensei, logo de cara – disse Inês. – Mas pense comigo. Apesar de todas as mudanças, ainda não estamos lidando bem com nossa feiúra. Da mesma forma que antes, nos sentimos pressionadas a ser bonitas.

– É verdade. Continuo quase chorando ao me ver no espelho – respondeu Mara.

– E, se uma fada aparecesse, eu queria ser transformada em bonita agora! – disse Ingrid, uma das feias condecoradas recentemente por maus tratos a bonitas. – Que inimigo é esse, a quem queremos imitar? Se elas são más, por que queremos ser como elas?

Após chegarem a um consenso, as líderes convocaram uma assembléia para discutir os novos rumos do movimento. Lá, muitas feias se sentiram traídas. As mais sensíveis choraram, enquanto a facção radical logo decidiu se separar das demais, formando um subgrupo ortodoxo. Após algumas horas de discussão, porém, toda a multidão estava disposta a votar pelo reposicionamento do grupo.

– Lembrem-se: elegeremos um novo inimigo, e nesse caso as bonitas poderão ser nossas aliadas, ou continuaremos lutando contra as bonitas? – disse Inês. – É importante que todas as feias concordem com o ganhador. Somos feias, mas somos organizadas!

Uma grande agitação tomou conta da multidão, que, orgulhosa, formou logo em seguida uma fila bem retilínea. Horas depois, terminada a contagem dos votos, Inês preparava-se para anunciar o resultado, que já sabia desde o início: não era à toa de que as cabeças do movimento tinham oferecido, no dia anterior, às feiosas guardiãs Cecília e Daniela o peso de cada uma delas em chocolate, caso concordassem em depositar na urna, alguns minutos antes da votação, alguns papeizinhos que não fariam mal a ninguém, além de darem fim a vários papeis ao recebê-los.

– Pela diferença de apenas três votos, eu declaro que nosso novo inimigo são os homens – anunciou Inês, por fim.

Muitas feias ficarem perplexas, enquanto outras comemoraram. Algumas tinham sido separadas de suas amigas, irmãs e primas bonitas, e não viam a hora de se juntar a elas novamente. No entanto, a facção radical, que era a grande preocupação de Inês no momento, não deu trabalho algum: no fundo, as mulheres daquele grupo queriam só um inimigo bem claro, qualquer um, e já confabulavam as medidas que adotariam para aterrorizar a vida dos homens.

– Não poderão mexer com as mulheres na rua! – gritou uma feia. – Nem feia, nem bonita!

– Não poderão falar do nosso físico, bem ou mal, em rodinhas masculinas! Multa! – gritou outra.

– Não poderão dar privilégios de nenhuma espécie às mulheres bonitas! Cadeia! – berrou outra.

Em nova assembléia, fecharam a lista de reivindicações aos homens, e, em seguida, após avisarem a prefeitura, anunciaram em praça pública que as bonitas estavam livres, desde que aderissem à causa contra os homens. Foi um dia histórico na cidade: usando cabelo solto e queimando seus uniformes, as bonitas desfilaram na rua até a madrugada, cantando, bebendo e abraçando as feias.

No dia seguinte, a ronda, agora formada por feias e bonitas, passava pela cidade vigiando os homens: tinham que emagrecer, para ficarem menos fortes. Tinham que usar salto alto, para impossibilitar que andassem rápido. Eram obrigados a usar saias curtas e calças justas, para dificultar seus movimentos.

Com o passar do tempo, a lista de exigências das mulheres foi aumentando. Os homens, agora, precisavam falar baixo e rir com cautela. Não podiam se relacionar com muitas mulheres, embora elas pudessem ficar com quem bem entendessem. Tinham liberdade para estudar e trabalhar, mas essas atividades não eram estimuladas: acima de tudo, a missão deles era ficar sempre bonitos e arrumados, para que elas os admirassem à vontade.

– O contratado é o Paulo – disse Marta, de pé em frente à sua sala, num prédio comercial da cidade, a uma série de homens sentados. Já fazia alguns meses que as mulheres tinham se unido contra os homens.

– Isso é um absurdo! Só porque ele é o mais bonito?

– E o meu cérebro, não conta? – perguntou um deles, que tinha feito pós-graduação no exterior.

– Mal-amados! – acusou Paulo, entrando todo prosa na sala de Marta, após dar uma piscadinha para ela.

Em outro canto da cidade, Cleide pedia o divórcio.

– Você está com um cara com metade da minha idade, que eu sei! – gritou seu marido, Jorge, arrasado.

– A culpa é sua, que não se cuida, não está nada atraente! Mas não se preocupe, não vou deixar que lhe falte nada. Agora me deixe sozinha, por favor.

Depois de alguns anos, só uma pequena parte das mulheres ainda se preocupava com beleza. A grande maioria queria roupas mais funcionais do que sensuais, ao contrário dos homens. A rivalidade entre feias e bonitas era coisa do passado, enquanto a competitividade entre os homens só crescia. Proibidos de usarem sua força física, eles acabaram por esquecê-la, e as mulheres se orgulhavam de pertencerem ao sexo forte. É verdade que os homens custaram a se acostumar com seu novo papel, mas, ao final de duas décadas, vários já corriam desesperados da chuva, para não molhar o cabelo, enquanto outros se recusavam a sair de casa sem pelo menos um pouco de pó compacto.

– Nada muito exagerado – deixou claro a um amigo, sentado ao seu lado no salão de beleza, enquanto conversavam sobre maquiagem e relacionamentos amorosos.

O movimento estava consolidado. Sentada na sua linda poltrona, assistindo a uma novela produzida pela emissora local – não gostava de novelas, mas não podia deixar de ver aquele capítulo, em que a mocinha, maltrapilha e sem um dente, finalmente regressaria de sua longa expedição, reencontrando o lindo e charmoso mocinho, que havia chorado por anos à sua espera –, Inês, já velha, orgulhava-se de sua vida de luta. Mas, no intervalo da novela, ao ver que o marido chorava num canto, ela se comoveu.

– O que você tem?

– Nada.

– Diga, não posso adivinhar. O que você tem?

– Nada, nada!

E ele se trancou no banheiro.

Inês passou a madrugada pensativa, e, logo na manhã do dia seguinte resolveu, depois de anos, convocar uma nova assembléia de mulheres. Após muita conversa e alguma discussão, elas resolveram fazer uma votação para decidir se os homens continuariam sendo seus inimigos ou não.

Não houve fraude. E, com duzentos votos de diferença, a decisão estava tomada: os homens não eram mais inimigos das mulheres.

O dia foi de festa. Homens e mulheres se abraçaram, riram e dançaram até a madrugada. Os que tinham se adaptado ao uso do salto ostentavam alegremente seus pares, e os que tinham saudade dos seus confortáveis tênis ficaram descalços, ansiosos para voltar a usá-los. Nem quando uma chuva forte começou a cair, os habitantes voltaram para suas casas: era dia de comemoração em Jutibaia.

No entanto, lá pelas três da madrugada, quando Inês e seu marido se abraçavam na rua já quase vazia, ela percebeu. A luta não estava ganha. Ainda havia um inimigo a ser derrotado. Ela não sabia quem, mas sentia. Era alguém maior que eles. Alguém que eles não podiam ver, mas que estava lá o tempo todo. Como não tinha percebido isso antes? Mas como lutar contra ele?

E Inês continuou abraçada a seu marido, olhando as luzes da cidade se apagando.
























By Liliane Prata

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Ano novo, vida nova: organize-se!

Ano novo, vida nova. Não é assim que a gente normalmente fala? Para isso, algumas medidas tem que ser tomadas, e aí a gente começa aquelas listinhas de fim de ano. São desejos e promessas de ano novo que temos que concretizar.  

No trabalho do suíço Ursus Wehrli, um livro de fotografias chamado “The Art Of Clean Up”, ele se baseou no pensamento de que há coisas que nem os mais organizados percebem estar fora de ordem, e aí criou imagens aéreas divertidíssimas.


terça-feira, janeiro 17, 2012

BIG BROTHER BRASIL, UM PROGRAMA IMBECIL

Curtir o Pedro Bial, e sentir tanta alegria
É sinal de que você, o mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal, é preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo, u
m programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo, visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar, vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro, q
ue está em formação
E precisa evoluir ,através da Educação
Mas se torna um refém, iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão, lá está toda a família
Longe da realidade, onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente, desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial. Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador, dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis, essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe, querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis e merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar pra manter e te educar
Com esforço especial.

M
uitos já se sentem mal com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes se enchem de calafrio
Porque quando você fala, a sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil, carente de educação
Precisa de gente grande para dar boa lição
Mas você na rede Globo. faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal, nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada e trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco, paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade neste momento atual
Se preocupa com a crise econômica e social
Você precisa entender que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo, vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza, a malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética, em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética, nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente é um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo “professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo é injetar o banal
Deseducando o Brasil nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança, educação e atitude
Porém a mediocridade unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento de pessoas confinadas
Num espaço luxuoso curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina a gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo é de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente, refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção (Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial, um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor: Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos, que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo. Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim desse Big Brother vil
Que em nada contribui para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade: Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor, que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso esses milhões desejados
Que são ligações diárias, bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB, Vendendo só porcaria
Enganando muita gente que logo se contagia
Com tanta futilidade, um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade e apelo sexual.
Não somos só futebol, baixaria e carnaval.
Queremos Educação e também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos, poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim, alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco, reaja à força do mal…
Eleve o seu coração, tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

Autor: Antonio Barreto

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Chegou o verão!

Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.
Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.
Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no tênis.
Mas o principal ponto do verão é... A praia!
Ah, como é bela a praia.
Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção.
Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias.
Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.
O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo, antes do sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão chegando.
Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa, toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de férias.
Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados e prontos pra enterrar a avó na areia.
E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação, as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os adolescentes ouvindo música enquanto dormem.
As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do chinelo.
Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como furar a areia pra fincar o cabo do guarda-sol.
É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar em pé.
Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da maravilha que é entrar no mar!
Aquela água tão cristalina, que dá para ver os cardumes de latinha de cerveja no fundo.
Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.
Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita cheia de areia, vem àquela vontade de fritar na chapa.
A gente abre a esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o chapéu, os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha.
Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor!!!!!
Mas, claro, tudo tem seu lado bom.
E à noite o sol vai embora.
Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo.
O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa, desde creme de barbear até desinfetante de privada.
As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da praia oferece.
Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas.
O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família.
Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo possa se encontrar no mesmo inferno tropical...

 
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