Outro dia, saindo do cinema, ouvi a conversa de duas meninas. Uma estava suspirando pelo filme, uma comédia romântica, e a outra saiu com uma cara mega critica, sabe como é, né? Essa menina da cara mega critica começou a reclamar que aquelas duas horas de filme não tinham acrescentado nada à vida dela. “Só gosto de filme cabeça”, disse. A amiga suspirante ficou toda bravinha e começou a discutir sobre como filme cabeça é chato e como comédia romântica é mais legal. “Quando vou ao cinema, não quero pensar. Quero me divertir!”. Nisso, a amiga critica respondeu... Bom, na verdade, não sei o que a amiga respondeu porque segui meu caminho... Eu não ia ficar ouvindo as duas para sempre.
O caso é que fiquei pensando: por que a gente tem essa mania de criar rivalidade entre as coisas? Pode reparar, é como se a gente ficasse se forçando a tomar partido. Você ouve rock ou sertanejo? Prefere campo ou praia? Loiro ou moreno? Carne vermelha ou peixe? Suco ou refrigerante? Parece que o tempo todo nós temos que marcar um “x” nas opções.
Uma vez, no colégio ainda, me perguntaram se eu era do time das que preferiam matemática ou português. Eu tinha uns sete anos. Quando você tem sete anos e perguntam uma coisa dessas, você se sente meio encurralada. A pessoa tinha colocado um “ou” na pergunta, o que deixa claro que você só poderia escolher uma opção. Pensei e respondi que era português. Sem querer fazer drama sobre a minha vida colegial nem nada, eu passei anos conformada ao meu destino de ser boa em português e ruim em matemática. E não precisava ser assim! Anos depois é que vi que tinha gente boa nas duas coisas, que eu poderia gostar de matemática e continuar gostando de português. Na verdade, eu odeio matemática até hoje.
Voltando ao filme, toda vez que alguém pergunta de que tipo de filme eu gosto, fico tentada a responder baseada nos últimos que eu vi, mas a verdade é que meus filmes preferidos variam de acordo com minha época da vida. Aliás, variam em um mesmo final de semana. Mas mesmo que eu sempre amasse os mesmos tipos de filmes, por que teria que criar uma rixa entre esse tipo de filme que amo e os outros? Por que defender um e detonar o outro, como se estivesse escolhendo um candidato para votar?
Uma das coisas que acho mais legais na arte é a diversidade. É incrível ter acesso a tantos tipos de músicas, livros, etc. Essa variedade atende não só pessoas diferentes, como a mesma pessoa em diferentes momentos. Para que abrir mão disso? Fico pensando se essas pessoas que defendem ardorosamente um tipo de coisa gostariam que a outra opção sumisse do mundo só porque elas não gostam. Você, eu não sei, mas eu acho que isso seria um empobrecimento desnecessário da arte. Tirando o funk, que não tem cultura nenhuma para acrescentar, ok?
Da mesma forma, acho que escolher categoricamente entre loiro/moreno, matemática/português seja um empobrecimento da vida. A gente muda, nossos gostos variam e nossas idéias, felizmente, não são fixas.

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