Quando vejo um desses filósofos sofrendo e dizendo que a vida não tem sentido, tenho vontade de perguntar:
O senhor já experimentou chocolate?
A vida não tem sentido, mas nós temos cinco! Um deles é o paladar e quando colocamos para funcionar ativado por um Diamante Negro ou um Twix, a vida fica bem mais interessante.
No momento, escrevo ao lado de uma caixinha cheia de pingos de chocolate. (Cheia é modo de dizer, porque a linha de chocolates abaixa numa velocidade considerável, lembrando-me que a vida é curta, curta, curta...).
Podem dizer que eu estou exagerando, mas é assim que eu me sinto. A tarde pode estar chata, cinza, parada. O dia não apresenta nenhuma promessa de felicidade, quando ao ir à cozinha, me deparo com chocolates. Coloquei um na boca e tive uma espécie de revelação existencial.
Não sou religiosa. Acho que depois que essa simples bomba chamada coração parar de pulsar, infelizmente já era. Também não creio em nenhuma revolução. Conheço pessoas maravilhosas, mas o ser humano é incapaz de fazer uma macarronada sem hierarquia. E da hierarquia pra sacanagem é um passo! Quando vamos ver, já tem três nadando no parmesão enquanto 63 não ganharam nem o molho de tomate...
Não quero ser a heroína da história. Claro que quero um mundo melhor e gritarei toda vez que achar necessário, mas tudo isso é esperança, matéria tão fluida, abstrata... Já o chocolate é real! É tipo mais ou menos assim: Como chocolates; logo existo.
Não há razão para melancolia. Como escreveu Fernando Pessoa, um dos grandes melancólicos da história:
“Come chocolate, pequena:
Come chocolates!
Olha que não há metafísica no
Mundo senão chocolates,
Olha que as religiões todas não
Ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com
A mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel
De prata, que é de folha de estranho,
Deito tudo no chão, como
Tenho deitado a vida.”
Ouviram o poeta? Comam chocolates! O resto, se tiver que vir, que venha depois!
Obs: meu chocolate acabou de acabar.
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